segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Cantinho dos sentimentos esquecidos


Ele só queria colocar aqueles sentimentos num lugar que chamava de "Cantinho dos sentimentos esquecidos". Era uma forma de esquecer as coisas boas e ruins que já vivera. Era uma forma de parar de sofrer por uns minutos por pessoas passadas, por situações e lembranças.

O cantinho estava vazio. Ele queria jogar tudo lá, mas não conseguia. Perguntava a si o motivo pelo qual tinha de se lembrar de tudo. Não seria mais fácil apagar a memória? Apagar as lembranças que de uma forma ou de outra o faziam sofrer. Não adianta. Não existe uma fórmula. Tinha de lembrar.

Por que não jogar naquele canto sentimentos que não o faziam mais feliz? Mas que eram recorrentes. Talvez a esperança de um dia ser do jeito dele, ser da forma como sonhou. Mas não. O cantinho estava vazio mais uma vez, à espera destes sentimentos que trazem boas e más recordações. O cantinho dos sentimentos esquecidos era a forma que ele pensava em não sofrer mais. Pura ilusão.

O sonho dele era materializar o cantinho e vê-lo de perto. Pensava num canto escuro apenas.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ter um ao outro

Da minha fase de versinhos sem rima e com gosto!


Tu não estás sozinho
Tu me tens
Mesmo de longe
Tu me tens
No teu coração
No teu pensamento
Tu me tens
Nas tuas mensagens
Posso ver que me tens
Nas tuas ligações
Sinto que me tens
Nas tuas risadas
Tu me tens
Nas tuas brincadeiras
Tu me tens

Quando te sentires sozinho
Pensa em mim
Liga pra mim
Que eu estarei contigo
Porque tu me tens
E eu te tenho
Mesmo de longe
Tu me tens
Mesmo em caminhos diferentes
Nossos corpos e mentes se têm
E tu me tens
E eu te tenho
Não ficas sozinho
E nem eu ficarei
Porque temos um ao outro

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Cada qual com seu cada qual

Cada um com seus amores perdidos, amores rasgados, com seus amigos amados, amigos de infância, amigos de ontem e de hoje.

Cada um com sua sina, com suas dores, dissabores, desavenças.

Cada um com sua felicidade, com seus parceiros, seus 'pariceiros'.

Cada qual com seu cada qual. E cada um amando ou odiando.

Cada um deve seguir uma vida que valha a pena pra si. Cada um é cada um e todos somos um.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Não falta nada

Há um pouco de água
Há um pouco de esperança
Há um pouco de vida
Há um pouco de sorriso
Há um pouco de tristeza
Há um pouco de alimento
E há um pouco de fé
Mas de tudo há um pouco e não falta nada

Abrindo o mês com uns pequenos versos que fiz quando andava pelo Sertão dos Inhamuns, no Ceará.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O leva e traz do sol


Naquele dia o garoto franzino queria fazer algo diferente. Sair do trabalho e enfrentar o trânsito de volta para casa não seriam o que ele ia fazer. Decidira descer até a praia e tentar ver o por do sol. Precisava entrar em contato com a cidade e terminar o dia com outra visão. Se não fosse o amor da vida dele que ao menos fosse o sol se pondo.

Lá se fora ele e com dez minutos de caminhada estava na praia. No meio daquela gente toda ainda se sentia sozinho. E estava. Apesar do turbilhão de pensamentos ele estava definitivamente sozinho. Nunca fora uma pessoa com uma multidão no seu encalço, mas naquele momento se sentia mais sozinho do que nunca. Sensação estranha.

Sentir a brisa bater no rosto e assanhar os cabelos e ouvir o barulho do mar batendo nas pedras salientes nunca foram tão reconfortantes. Preenchia pouquinho aquele vazio e aqueles pensamentos de outrora. Um tempo que passa rápido, um tempo que corre no balançar das ondas. O sol logo se pôs. E lá estava o garoto franzino vendo aquelas cores do céu.

Pedia pra levar o dia junto ao sol. Pedia pra levar os pensamentos do presente. Pedia apenas. Era a vontade dele. Vontade de se desfazer daqueles sentimentos. Não queria mais viver aquilo. Queria sentir os bons pensamentos de antes. Sentir o já sentido. Era difícil pra ele e sol estava ali se pondo para levar o dia junto.

O sol levaria e traria. Ele sempre faz isso. Leva e traz. Um dia após o outro e o sol brilha do mesmo jeito. Ele poderia renovar as esperanças e consigo novas esperanças trazer de presente. O garoto franzino pedia. Pedia tudo de uma vez como jamais pediu. E o sol levou naquele momento. Levara tudo, inclusive pensamentos.

*Escrito dia 3 de julho de 2012 

domingo, 26 de agosto de 2012

A primeira vez a gente nunca esquece

Ele estava ansioso, pelo menos era o que aparentava. Seria a primeira vez que ele aceitara fazer festa de aniversário. Não gostava do próprio aniversário, nem de parabéns, nem de abraços naquele dia, nem de festa e muito menos convidados.

Mudara. Este ano ele mudara e aceitara fazer uma festinha para comemorar, naquele 25 de agosto, os 25 anos com um corpo de 30, como ele mesmo diz.

Estava ele agitado, preocupado se os amigos iam ou não à festa. Não tinha o costume de comemorar com os amigos, por isso a ansiedade. Nervoso, não se sabe, só ele mesmo pode dizer, mas estava mesmo era feliz.

Cada convidado que chegava era um abraço, uma foto, uma piada, umas conversas para alegrar a noite. Era cerveja, era comida e bolo. E presentes. Parecia uma criança. E era mesmo. Uma criança de 25.

O primeiro aniversário com festa e amigos e amor. O primeiro de muitos porque ele gostara de comemorar. Então todo ano vai ter festa de aniversário com bolo, amigos e presentes.

P.S.: Erlon Coelho sUvinando o bolo aos convidados! 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A tal da mensagem

Reprodução: Ramon Cavalcante
"All you need is love, all you need is love, love is all you need..." A música ecoava na cabeça dele e deixava uma sensação de saudade. Não sabia exatamente o que estava pensando. O álcool  da sangria, depois misturado ao chopp de vinho e à cerveja, havia tornado aquele rapaz um tanto ébrio.

Passara o show todo pulando, dançando, rindo, cantando as músicas dos Beatles. Ele só não recordara todos os detalhes. E muito menos uma provável ligação que teria feito e uma mensagem que teria enviado.

Os amigos, no mesmo estado que o coitado, também não sabem detalhes. Contam histórias, processam informações, mas também a eles não interessa. Era coisa dele. Ele queria saber exatamente o que acontecera naquele dia. Tudo em vão. A memória desaparecera.

No outro dia, apenas sinais de uma ressaca e dores musculares. Ele aproveitara o show. Aquilo de mensagem o intrigara. Na verdade, o que o incomodava mesmo era a falta de resposta pra esta mensagem enviada. Talvez um conteúdo ofensivo. Talvez nada escrito. Só especulações.

Na caixa de enviadas do celular, nada. Claro, ele configurou o aparelho para não armazenar mensagens enviadas. Tomava muito espaço, pensava o homem.

Entretanto, uma luz no fim do túnel: um tal de relatório de recebimento de mensagem dois dias depois. Pelo menos ele sabe pra quem mandou e que tal pessoa recebera o conteúdo. O que não se sabe é o que foi enviado. E a resposta ainda não chegou até ele. Se for beber, não use o celular