sábado, 11 de agosto de 2012

Visita inesperada

A secura na boca e o sol na cara faziam ele respirar intensamente. Estava ali no meio do nada. Em pleno sertão. Na seca. A vegetação o deixava triste e um pouco depressivo. Para onde olhava não enxergava vida. Era tudo morto na cabeça dele. Não havia vida. Só sol e calor.

Entretanto algo o fazia repensar aquilo tudo: o sorriso das pessoas que viviam ali. A simplicidade e a humildade com que levavam a vida o fizeram refletir. A seca era normal. O que não era normal era a falta de água. Mas eles estavam ali sorridentes esperando a chuva para esverdiar o campo e encher o copo de água para as visitas inesperadas, como a dele.

Ao ver a água, sorria ele como os outros. E matara a sede, e matara a desesperança, e matara os medos do sertão até aquele momento.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

25 e 26

Hoje se encerra mais um ano. O ano 25. E começa o ano 26 da minha vida. O ano 2.5 foi o mais intenso em todos os aspectos. Ano que me tornei jornalista de verdade. Ano que conheci amores, que vivi amores e que reforcei os amores atuais. Foi o ano de amores. De experiências, de expectativas, de viagens, de aviões, aeroportos, ligações, mensagens e facebooks.

Ano que pude estreitar laços com pessoas que estavam por ali, mas que não participavam tanto da minha vida. Ano da minha vida que experimentei novos sentimentos e novas pessoas. Ano de mudanças, de quebras, de acertos, de risadas e de choros.

O ano 25 fica na lembrança, fica no coração, fica em mim. O tempo passa e agora é hora de fechar o ano 25 e começar o 26. Que o ano 2.6 me faça rir, chorar, pensar, refletir, ajudar e ser ajudado, de conhecer, de compartilhar, de amores mais ainda. Estou te esperando de braços abertos.

domingo, 29 de julho de 2012

Visualizar

Comecei a visualizar as coisas na minha cabeça depois que li um livro. Era um adolescente cheio de sonhos. Lia de tudo. Naquela cama, ainda lembro daquele quarto. A cama embaixo das escadas. Numa sexta-feira. Depois de passar a semana longe de casa estudando na cidade grande.

Aquele livro, aquelas páginas marcaram. Até hoje faço do jeito que diziam no livro. Era para visualizar o que quisesse. Pessoas, lugares, situações. O cérebro registraria tudo e para ele aquilo de fato aconteceria. Era ilusão. Aquela cabeça imaginara coisas e lugares. A mesma cabeça continua imaginando.

Pensando hoje naqueles dias sinto que mudei. Apesas de visualizar tudo, hoje visualizo, porém com menos frequência. Talvez o ardor da vida e as desiluções tenham me ensinado a visualizar menos. Sonhos merecem ser visualizados e quem sabe podem se tornar realidade. E para o meu cérebro será a segunda vez que aquilo pode acontecer. Uma vez de mentirinha e a outra de verdade.

domingo, 22 de julho de 2012

O abraço dela

Este texto eu fiz a uma pessoa que com um simples gesto me ajudou muito em um momento da minha vida. Eu a conheci neste dia e no mesmo dia me enchi de amor por ela. Espero que a amizade se estenda por muito tempo. 

Ele queria sentir aquele abraço. Queria sentir-se abraçado e perto de casa e dos amigos. Mas não tinha ninguém lá. Estava sozinho. Sentia-se até desamparado. O que ele não sabia é que havia sim um abraço e uma mão para se apertar. E conseguira.

Lá estava ela. Toda serelepe e cheia de energia. Lá estava ela pra abraçá-lo e segurar a mão dele. Estava ela sem entender muito aquilo tudo, mas estava lá. De tantos sorrisos, risadas, emoções, sobram-se abraços. Ele sentira a mão dela por vezes apertar forte como se quisesse tirá-lo dali.

E com todos os sorrisos ela demonstrava carinho por uma pessoa que acabara de conhecer. A verdade é que conversaram e beberam juntos. Ele até chorara. Ela se emocionara. Talvez o álcool o fizessem agir daquela forma. Mas viveram aquele momento.

Entre o primeiro abraço e o último da noite tudo mudara. Conhecer o outro por alguns momentos é tão precioso quanto conhecer por anos. E assim só se esperam outros abraços apertados como aqueles que ele recebera dela.


E esta foi a linda resposta dela:
Lindo! Mas não foi o álcool não, foi de repente um menino franzino, morrendo de frio, em um dia não tão frio assim,que despertou (e eu nem sou de leão) a leoa pronta para proteger aquele filhote desamparado (louco para voltar para toca ou ninho) de qualquer coisa que pudesse o machucar. Bjs meu amigo para toda vida(Filhote)

Tudo solto na cabeça

Nunca ele bebera tanto naquela tarde de sol. Passava pelo uísque, cerveja, vodca e não cansaça de beber. Para ele, beber era uma forma de esquecer os problemas, pessoas, lembranças. Claro que não conseguiria. A bebida lhe trazia alegria para aquele momento. Depois ele voltaria a si e perceberia que nada mudara desde então.

Naquela tarde pensava em esquecer. Esquecer apenas. Por que não daria certo? Ele se perguntava. Não dava certo mesmo. Mas continuara bebendo, enchendo a cara pelos bares. Fazendo amigos de cinco minutos, amizades de copo e de bar.

Voltaria para casa pensando. A barriga pesava. A cabeça cheia. Cheia de pensamentos. Tudo solto. Os pensamentos bolavam lá dentro. Eram eles batendo. Eram as lembranças, as pessoas, os causos. Era a bebida fazendo o efeito reverso. Estava tudo solto e era isso apenas que ele sabia. Como um pote de cerâmica cheio de bugigangas.

Ele prometera, meio zonzo ainda, colocar as quinquilharias no seus devidos lugares. Faria isso andando de bar em bar, rua por rua, cidade por cidade. Sairia ele do canto e poria os objetos da cabeça nos lugares que ele achava que mereciam ficar.

sábado, 8 de outubro de 2011

Só um sonho e muitos significados

Era uma casa grande, na verdade uma mansão. Amarela, um amplo jardim e muita alegria. Um livro sobre minha vida que eu mesmo havia escrito. Com uma capa linda aos meus olhos. O lançamento da tal obra era um sucesso. Agora sim eu estava realizado. Rico, com uma bela casa, um patrimônio de dar inveja e feliz.

E ainda tinha uma língua entre tantas que eu falara. Um língua inusitada, sem explicações, talvez budejos a explicassem. Hebraico, eu acho. O importante era que a língua era difícil e isso me deixava com mais vontade de aprendê-la. Sempre gostei de desafios.

E continuo gostando...mesmo depois deste sonho que tive e que me trouxe mais ânimo e mais esperança. Pelo menos sei que deve haver um significado para todos estes sonhos que venho tendo ultimamente.

sábado, 17 de abril de 2010

Chuva que não passa

Quando chove, me lembro de como era feliz na infância. Não que não seja agora, mas é diferente. A vida mudou, o mundo passou por transformações e eu mais ainda. Perdi aquela inocência de criança. Sou mais áspero, às vezes egoísta. A chuva incomoda. Deixa tudo tão sujo, as ruas, as pessoas, os carros. Mas minha alegria ainda mantém esta inocência. Não preciso mais dela, tenho meus problemas para me consumirem o quanto quiserem.

A chuva está tão sozinha no mundo. Acontece tão inesperadamente. As conversas são mais pesadas, os assuntos mais sérios e os dramas irrelevantes para o outro. E a chuva atinge tão igualmente a todos. Nem precisamos ser diferentes. Diferentes assim sejamos só na alma.

Mas a chuva vem e passa. Molha e encobre o tempo. Nublado meus pensamentos enquanto chove. A solidão parece estar tão perto e percebo que preciso do outro. Aquele que vem e passa como a chuva. Aquele que a gente ama e só isso. Amar a chuva, amar o outro. E a chuva passa e será que o outro passa?

O futuro a mim não pertence. É como a chuva, chega inesperadamente. Ela passa seja forte ou fraca. O amor talvez dure, talvez não. Como a chuva, não sabemos, não prevemos. Apenas vivenciamos sem poder explicar o porquê de tamanha imprecisão. Por isso que quando chove, me lembro do outro, da inocência.